A idéia de escrever este artigo sempre foi tão óbvia que nenhum de nós, autores do blog, escreveu antes (rs). Mas nos últimos dias, estimuladas pelos temas abordados aqui no blog, muitas pessoas tem despertado para a necessidade de uma definição teórica sobre o assunto. Há muito que saber sobre o tema e este artigo não pretende esgotá-lo, mas apenas ser um resumo simplificado do mesmo.
Então, afinal o que é essa tal Gestão de Conhecimento?
Para começar é importante dizer que Gestão de Conhecimento (GC) é um tema amplo e multidisciplinar que certamente pode ser aplicado em sua área de atuação profissional, empresa ou até mesmo em sua vida pessoal. Em outras palavras, se você ainda não sabe se deve ler sobre isso ou não, sugiro que leia principalmente pra descobrir a resposta. E também porque embora a sociedade do conhecimento ainda seja relativamente nova, a tendência é que este conceito se fortaleça e se integre cada vez mais rápido às atividades do dia a dia nas empresas.
Outro ponto importante é alertar para a frequente confusão entre o conceito de sistemas de informação e de gestão de conhecimento. O conhecimento é criado pelas pessoas durante o processo de interpretação das informações obtidas por elas em livros, educação formal, interação com outras pessoas etc (BOHN, 1994). Enquanto dados envolvem processos menos complexos e podem ser manipulados por computadores, e informações são estes mesmos dados contextualizados. A gestão de conhecimento inclui a gestão de dados e informações, mas não se restringe a elas.
O conhecimento é próprio das pessoas e é criado num processo mental complexo. Está ligado a uma ação ou a um processo de tomada de decisão (BALDAM,2004) e, por isso, varia de indivíduo para indivíduo.
Existem 3 diferentes tipos de conhecimento:
- Conhecimento Explícito – também chamado informação, é aquele que pode ser explicitado em livros, documentos, educação, qualquer meio computacional etc. É um conhecimento codificado e de fácil transmissão.
- Conhecimento Implícito – aquele que, embora possa ser explicitado (documentado), ainda não o foi.
- Conhecimento Tácito – é o conhecimento subjetivo, que está interiorizado nas pessoas e é muito difícil de ser documentado e transmitido. Em outras palavras, é aquilo que um indivíduo sabe fazer, mas que mesmo que deseje explicitá-lo, ele não consegue ensinar ninguém a fazer exatamente como ele.
Nas organizações, o conhecimento é transferido quer gerenciemos ou não esse processo. Quando um funcionário pergunta a um colega da sala ao lado como ele poderia elaborar um orçamento que lhe foi pedido, por exemplo, ele está solicitando uma transferência do conhecimento. Quando não gerenciado, é comum o conhecimento ser perdido numa organização, seja no caso do conhecimento de um funcionário que se aposenta ou se demite, seja na ausência de registro de lições aprendidas, seja no tempo despendido com pesquisas e trabalhos já realizados por outro setor, dentre muitos outros exemplos. Podemos dizer que com a GC pretende-se transformar a sinergia entre os capitais de conhecimento em valor (fonte de riqueza) para as organizações.
Hoje, considera-se que o real valor das empresas deixou de estar relacionado aos bens tangíveis, como máquinas, instalações e passou a ser avaliado, principalmente, por seus bens intangíveis. Ou seja, os antigos fatores de produção – terra, capital e trabalho – fazem parte de um paradigma quebrado com o surgimento da sociedade do conhecimento. E fica fácil perceber que como a revolução é de ordem intelectual, organizações com maior capacidade de gerir o conhecimento e inovar poderão ter também maior vantagem competitiva, e consequentemente, mais chances de sobreviver e alcançar a liderança no mercado.
Veja outros posts sobre o assunto:
Saber ou não saber, eis a questão
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No próximo post, trarei exemplos de Gestão de Conhecimento nas empresas.
Até lá!
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04/07/2009 às 03:17
“Logo que comunicamos os nossos conhecimentos, deixamos de gostar deles suficientemente.” [ Friedrich Nietzsche ]
Marcinha,só deixei para ilustrar,acrescentar ou até mesmo, confundir !! Rsrs !
Bem ,disso tudo que citei,melhor filosofar mesmo !!
Bjo !!
04/07/2009 às 19:20
A distância entre dado, informação, conhecimento e decisão está ficando cada vez mais curta. A interação de qualidade entre pessoas e sistemas de informação apoia o avanço da gestão do conhecimento dentro das empresas.
Ótimo assunto!
05/07/2009 às 00:32
bacana!
07/07/2009 às 13:13
“Conhecimento Tácito – é o conhecimento subjetivo, que está interiorizado nas pessoas e é muito difícil de ser documentado e transmitido. Em outras palavras, é aquilo que um indivíduo sabe fazer, mas que mesmo que deseje explicitá-lo, ele não consegue ensinar ninguém a fazer exatamente como ele.” Acredito que as pessoas têm qualidades únicas. E não vai ter meio de documentar este conhecimento pessoal e intransferível. Dou um ex. prático. A pessoa tem uma habilidade de cálculo absurda. Como se vai guardar este conhecimento para a empresa? Não vai. Se a pessoa for embora da empresa, o cálculo vai junto… Ou segura o talento, valorizando o funcionário ou não vai ter gestão de conhecimento que dê jeito.
08/07/2009 às 01:54
Certamente um dos pontos mais polêmicos da Gestão de Conhecimento (GC) é a questão do fator humano e as estruturas organizacionais. Inclusive, este fator pode ser extremamente crítico.
A boa notícia para a Shirley e muitos é que a retenção de talentos nas organizações e a criação de políticas de valorização do funcionário – que tentam premiar a meritocracia – são práticas da GC, cujo objetivo não é apropriar-se do conhecimento do funcionário para descartá-lo. Muito pelo contrário. Objetiva-se, dentre outras coisas, a desenvolver os mesmos através da disseminação do conhecimento.
O Renato citou um bom verbo: “interagir”. Além disso, há uma boa frase que inspira o compartilhamento do conhecimento. Essa vai pra Ilma: “Sonho que se sonha junto é realidade”.
…
Fica a pergunta para fomentar a discussão: Mas afinal de quem é a propriedade do conhecimento: do funcionário ou da corporação?
09/07/2009 às 01:25
Excelente post!!!
Uma das respostas a sua pergunta poderia ser: a propriedade do conhecimento tácito pertenceria ao voluntário; mas o que ele desenvolve com outros colegas de equipe resulta em um produto que pertence à corporação.’
Esta é uma pergunta que rende muita discussão!!!
09/07/2009 às 12:08
Muita discussão mesmo…. mas saudável, com certeza!
Concordo com a Luciana: a informação é um bem (valioso) da empresa e o conhecimento tácito é do funcionário.
Uma das ferramentas que as empresas estão utilizando para evitar “centralizar” o conhecimento em um funcionário, é a utilização do Mapeamento de Processos, na qual é definido um objetivo e os diversos passos (atividades, processo, instrução de trabalho etc.) a serem seguidos para alcançá-los.
Passar esses passos para o “papel” que é algo difícil, devido a percepção errada de alguns funcionários, acreditando que o mesmo possa ser dispensado após o mapeamento, conforme comentado pela Marcinha. Esses funcionários devem perceber que, com o mapeamento, eles podem aprender mais, pois, poderão observar onde algo está errado e o que pode ou não ser modificado. Bem, citei mapeamento de processos por acreditar que o mesmo faz parte da GC.
Será que respondi a pergunta?
10/07/2009 às 15:20
As organizações devem acordar para o fato de que, ao invés de “tentar” reter o conhecimento tácito de seus funcionários, devem reter (VALORIZAR) os TALENTOS que possuem em seus quadros funcionais !
Sempre uso o exemplo a seguir para justificar minha linha de raciocínio: como registrar o conhecimento tácito de um jogador / treinador de futebol ? como registrar o conhecimento tácito de um músico ? Me arrisco a responder: IMPOSSÍVEL ! O processo criativo não pode ser padronizado ! Portanto, o conhecimento tácito destes atores é intransferível !!!
10/07/2009 às 18:29
Marcinha,
Excelente post, Parabéns!
Com a alta rotatividade de funcionários em várias empresas, o conhecimento vai se perdendo e o histórico das experiências já realizadas também. As empresas precisam achar formas de reter e distribuir esse conhecimento, para crescer e não ter retrabalho, por exemplo.
Beijos!
Simone
13/07/2009 às 19:46
O CAETANO MAURO deixou 2 comentários bastante interessantes sobre esta discussão no meu perfil do Facebook e eu gostaria de compartilhar com vocês logo abaixo:
COMENTÁRIO 1
Cateano: “O que é tácito, é tácito. As empresas devem padronizar o conhecimento tácito, tornando-o, assim, propriedade de seus processos. Mas nunca tirarão o que é de conhecimento tácito de seus colaboradores (inclusive aqueles processos que foram padronizados e e conhecimentos que foram documentados). Por isso a prática de algumas organizações em registrar a concordância de alguns colaboradores – que exercem cargos em confiança – ao acordo de não usar aquele conheciemento durante determinado prazo, caso saiam de suas empresas.”
COMENTÁRIO 2
Caetano: “Eu concordo com o Alexandre Quedinho. O processo criativo não pode se padronizado. O Sydfield tenta fazer isso em seus modelos de roteiro, mas é de senso comum que trata-se de uma padronização impossível.”
13/09/2009 às 22:00
Parabéns pela criação desse site! Amei! Frequentarei diariamente…
Sucesso!
03/12/2009 às 11:55
Amigos de Blog.
Adorei conhecer o site e os artigos postados aqui. Muito interessante este artigo sobre a Gestão do Conhecimento.
Parabéns!!!!
David Pavão
Blog PERFIL PME