Publicado em 06/10/2009 por Marcinha Tavares
Quanto vale uma empresa da nova economia? Os gestores brasileiros tem consciência da importância dos intangíveis? Leia mais
Entrevistado: Pedro Paulo Legey, Engenheiro Eletricista formado pela PUC RJ, especialista em Marketing pela FGV RJ e mestre em Economia Empresarial formado pela UCAM.
Atuação: Consultor de avaliação de indicadores de ativos intangíveis através da percepção humana em empresas como Vale, Mongeral, Embratel e Botafogo. É também professor de Gestão do Conhecimento da Marinha do Brasil. Possui experiência no desenvolvimento de Planejamento Estratégico, utilização de Estratégias de Marketing e Gestão de Projetos com aplicação de metodologia baseada em PMBOK e na coordenação de grupos de estudos e palestras em trabalho voluntário.
ingestão.net: Pedro, acabamos de conferir a publicação das 100 marcas mais valiosas do mundo. Presenciamos o surgimento de empresas as quais costumo chamar “jovens gigantes”. A pergunta é: quanto vale uma empresa da nova economia, a economia do conhecimento?
Pedro Legey: As empresas inseridas na Sociedade do Conhecimento têm a maior parte do seu valor associado aos seus ativos intangíveis. O cálculo desses ativos possui discussão secular e existem algumas formas de mensurá-los desenvolvidas por especialistas no assunto que tem por base o valor de mercado, o custo e a renda, mas não existe uma fórmula exata, o grande sonho da Contabilidade, pois sempre o aspecto perceptível estará presente. De qualquer maneira, podemos assegurar: a empresa vale o quanto o mercado está disposto a pagar, e esta disposição está associada ao tipo de percepção sobre a empresa.
ingestão.net: O que podemos classificar como Ativos Intangíveis de uma empresa?
Pedro Legey: Os ativos intangíveis constituem-se na propriedade imaterial das empresas, cujo conjunto é composto por elementos como: recursos humanos, software, clientes, patentes, marcas, direitos autorais e know-how. São recursos não materiais controlados pela empresa, capazes de trazer benefícios futuros ao negócio. À medida que os anos passam e que as experiências da empresa são somadas, os ativos intangíveis passam a ter destaque e chegam a suplantar o valor dos ativos tangíveis.
Alguns estudiosos criaram modelos específicos dividindo e agrupando os ativos intangíveis a sua maneira, mas na essência são semelhantes. Considero a seguinte divisão como englobando todas as idéias: Capital Humano: capacidade, habilidade e experiências dos membros da empresa; Capital estrutural: sistemas administrativos, patentes, conceitos, modelos, rotinas, marcas, manuais, normas, metodologias, padrões, estratégia organizacional, processos de negócios, estilo gerencial e infra-estrutura tecnológica que fazem a empresa funcionar; e Capital de relacionamento: o que valoriza e incentiva às alianças estratégicas com clientes, fornecedores, acionistas, investidores, terceirizados, prestadores de serviços e a sociedade em geral para ampliar sua presença no mercado.
ingestão.net: Os intangíveis são realmente relevantes para empresas de qualquer setor e tamanho, incluindo as pequenas e médias empresas?
Pedro Legey: Sim, pois todas as empresas, independente do setor e tamanho, precisam agregar aos seus produtos uma percepção positiva, que é totalmente intangível. Foi-se a época em que os recursos financeiros, o tamanho da empresa, a localização, etc, definiam o sucesso da empresa. Hoje, o sucesso está atrelado à capacidade de inovar, que é estimulado pelo conhecimento, e que todos podem desenvolver.
No desenvolvimento dos intangíveis, as grandes empresas podem investir mais recursos do que as pequenas e médias, mas em contrapartida possuem uma estrutura bem maior que tornar muitas vezes mais difícil o fluxo de informações e a quebra de modelos mentais para o desenvolvimento do conhecimento. As pequenas e médias empresas têm chances no mercado, mas precisam tomar consciência de que inovar não é simplesmente colocar nos seus valores organizacionais essa palavra, ou participar de treinamentos do assunto, ou fazer o que todos fazem. Inovar é investir no conhecimento, é procurar caminhos diferentes que possam ser percebidos pelo mercado como um diferencial.
ingestão.net: Para finalizar, mais uma pergunta: Em sua opinião, os gestores brasileiros têm consciência da importância dos intangíveis e estão preparados para administrar esse ativo e transformá-los em resultados positivos?
Pedro Legey: As empresas de uma maneira geral, e especificamente as brasileiras, estão antenadas sobre este assunto e procuram investir nos seus ativos intangíveis. Basicamente, investem em TI, treinamentos, mensuração de clima, mapeamento de competências, marketing, gestão do conhecimento como formas de desenvolvimento dos seus ativos intangíveis. Dentre as dificuldades podemos citar as seguintes:
1) A definição de indicadores que retratem os resultados: normalmente procuram indicadores estatísticos sem levar em consideração os problemas de análises e a aderência percepção-estatística.
2) O tempo do processo: muitas vezes o conhecimento gerado se baseia em informações desatualizadas. Exemplo verdadeiro: grande empresa que está entre as melhores de se trabalhar, mas no momento que esta informação foi para o mercado a empresa está demitindo funcionários por dificuldades financeiras. Já imaginou se estivéssemos decidindo uma compra através da informação inicial?
3) A transformação das informações geradas em conhecimento: muitos acreditam que basta treinar, basta administrar as informações através de poderosos sistemas que o desenvolvimento do conhecimento está garantido, esquecendo-se dos aspectos emocionais, inconscientes, das experiências concretas, etc.
Como análise superficial, podemos dizer que estas dificuldades se devem a uma maior preocupação com o processo, em gerar informações, do que com a medição e a transformação dos resultados em conhecimento. E isso parece ser uma característica da própria sociedade, que gera informações a todo instante, mas não tem tempo de processá-las para torná-las conhecimento. Podemos citar o número de enquetes diárias veiculas pelos meios de comunicação cujos formatos e os resultados online demonstram as falhas para se gerar conhecimento.
Mas, estamos no caminho certo! Existem muitos profissionais experientes e competentes que podem auxiliar nesse processo de conscientização das empresas.
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Gerente de Gestão do Conhecimento
Empresa: VALE
Empresa global do setor de minérios, sediada no Brasil, com mais de 100 mil empregados, entre próprios e terceirizados. Em 2007, a VALE investiu em mais de dez países e mantem atividades nos 5 continentes.
Resenha: Ana Claudia Freire mostra o seu ponto de vista sobre conhecimento, educação, gestão e outras questões polêmicas.
Para saber um pouco do que rolou nesse bate-papo agradável e enriquecedor…
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